Trabalhador denuncia sessão de tortura em sede da Bamor e relata horas de violência

Foto: Divulgação
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Um homem denunciou à Polícia Civil ter sido vítima de agressões, tortura e roubo dentro da sede da torcida organizada Bamor, em Salvador. Conforme o boletim de ocorrência, ele foi chamado ao local para prestar esclarecimentos sobre uma suposta fraude em vendas realizadas por meio de um sistema utilizado pela torcida.

Segundo o relato, a vítima negou qualquer envolvimento nas irregularidades, mas informou que havia compartilhado sua senha de acesso com outro integrante da organização para a realização de atividades de rotina. Após os questionamentos, ele afirma ter sido agredido pelo presidente da torcida e por outros integrantes presentes no local.

De acordo com a denúncia, o homem foi espancado com um taco de golfe e um alicate, além de ter sido submetido à asfixia com um saco plástico e a um princípio de afogamento. Ele também relata que os suspeitos acessaram seu celular, visualizaram conversas, copiaram imagens pessoais e realizaram transferências bancárias que totalizam R$ 5.578,18.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, o veículo da vítima foi revistado e outro automóvel permaneceu sob posse do presidente da torcida. O denunciante afirma que permaneceu por cerca de quatro horas na sede da Bamor e sofreu lesões no rosto, joelhos, cotovelos, tornozelos e costas.

A identidade da vítima está sendo preservada. O caso será investigado pela Polícia Civil, que deverá apurar todas as circunstâncias dos fatos narrados no boletim de ocorrência.

A reportagem aguarda um posicionamento da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e da direção da Bamor sobre as denúncias.

Pela gravidade das acusações, o caso também deve ser acompanhado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). A prática de tortura é considerada crime hediondo pela legislação brasileira, e as autoridades competentes deverão apurar os fatos, identificar eventuais responsáveis e adotar as medidas cabíveis, caso as denúncias sejam confirmadas.

Histórico de ocorrências envolvendo a Bamor em 2026

O caso denunciado se soma a outros episódios envolvendo integrantes da torcida organizada Bamor registrados ao longo deste ano. Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Bandeira Branca, que resultou na prisão de 10 suspeitos sendo sete adultos e três adolescentes investigados por espancar e esfaquear um torcedor do Vitória na Avenida São Rafael, em Salvador.

Durante a operação, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da torcida e em diversos bairros da capital.

Em abril, mais de 70 integrantes da organizada foram conduzidos à delegacia, no bairro da Boca do Rio, após a apreensão de materiais como bombas caseiras, facas, soqueiras e barras de madeira antes de uma partida do Bahia.

Já em junho, integrantes da Bamor também foram apontados como envolvidos em atos de hostilidade contra o presidente do Vitória, Fábio Mota, durante um evento realizado em Salvador.

Diante da sequência de ocorrências envolvendo membros da torcida organizada, o novo caso de suposta tortura e agressão reforça a necessidade de uma apuração rigorosa por parte da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia, para esclarecer os fatos, responsabilizar eventuais envolvidos e coibir novos episódios de violência.

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