Uma empresa registrada no centro do Rio de Janeiro recebeu ao menos R$ 126,6 milhões do Banco Master em poucos anos, com os valores lançados como pagamento por serviços prestados.
A empresa, Midias Promotora LTDA, tem como responsável Gilson Bahia Vasconcelos, que já foi citado em processos por estelionato e chegou a receber auxílio emergencial durante a pandemia.
Segundo as informações, o montante recebido pela empresa supera, por exemplo, valores pagos a outros nomes ligados ao caso e coloca a Midias entre os principais destinos de recursos do banco nesse tipo de contrato.
De acordo com apuração, Gilson Bahia Vasconcelos é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suspeita de participação em um esquema que teria prejudicado aposentados e pensionistas do INSS, envolvendo uso de tecnologia e reconhecimento facial para contratação de empréstimos sem consentimento.
A empresa foi aberta em 2020 com capital social de R$ 1 milhão, no mesmo período em que o empresário recebeu cerca de R$ 3 mil em auxílio emergencial, pagos em parcelas.
Atualmente, a Midias acumula dívida ativa de aproximadamente R$ 12,5 milhões com a União por impostos não pagos. Formalmente, a empresa atua como correspondente de instituições financeiras.
Os dados analisados pela Receita Federal e enviados à CPI do Crime Organizado indicam que os repasses feitos pelo Banco Master à empresa ocorreram principalmente entre 2022 e 2025, com pico em 2024, quando foram transferidos cerca de R$ 96 milhões em um único ano.
A defesa do empresário afirma que ele responde ao processo em liberdade, cumpre medidas cautelares e ainda não houve julgamento. Também sustenta que as atividades da empresa seguem dentro da legalidade.