Um documento sigiloso apresentado pelo governo dos Estados Unidos durante negociações com o Brasil em outubro de 2025 trazia exigências relacionadas às eleições presidenciais de 2026. Segundo a documentação revelada pelo Estadão e confirmada por outras reportagens, Washington pediu que o Brasil garantisse eleições “livres e justas” e não impedisse arbitrariamente a participação de “dissidentes políticos”.
A proposta fazia parte de uma lista com 21 pontos apresentada durante as negociações após a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. O documento não citava nominalmente Jair Bolsonaro, mas integrantes do governo brasileiro interpretaram a referência aos “dissidentes políticos” como relacionada à situação do ex-presidente.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, considerou as exigências políticas inaceitáveis, segundo relatos obtidos pelas reportagens. De acordo com o Poder360, as condições relacionadas ao processo eleitoral não avançaram nas negociações entre os dois governos.
Em entrevista nesta quinta-feira (17), Lula afirmou que o documento já havia sido recusado pelo governo brasileiro e que não chegou a ser objeto de negociação.