Em julho, no Brasil, homenageamos Tereza de Benguela, importante liderança negra que resistiu à escravidão e comandou o Quilombo do Quariterê, no século XVIII e assim como toda mulher negra latino americana e caribenha, a história dela simboliza coragem, organização, inteligência e liderança, características presentes na trajetória de tantas mulheres negras que continuam transformando famílias, comunidades, empresas e instituições.
Durante muito tempo, a contribuição dessas mulheres foi invisível, entretanto, elas sempre estiveram presentes na construção social, cultural, econômica e política dos seus territórios, foram e continuam sendo educadoras, empreendedoras, escritoras, pesquisadoras, cuidadoras, líderes comunitárias, profissionais, artistas e responsáveis por movimentos capazes de mudar realidades inteiras.
Muitas mulheres cresceram sem encontrar referências que se parecessem com elas em posições de liderança, destaque profissional ou poder de decisão a falta de representatividade não impede apenas o reconhecimento externo, mas também pode afetar a maneira como uma pessoa enxerga suas próprias possibilidades.
Por isso, ocupar espaços importa e ver uma mulher negra liderando uma empresa, publicando um livro, apresentando um programa, comandando um projeto social ou participando das decisões de uma instituição pode abrir caminhos para muitas outras.
O empreendedorismo tem sido uma importante ferramenta de autonomia para muitas mulheres negras, em diferentes comunidades, elas transformam habilidades, conhecimentos e experiências em fontes de renda.
Negócios nas áreas de alimentação, beleza, moda, comunicação, educação, artesanato, cultura, tecnologia e prestação de serviços ajudam a movimentar a economia e sustentar inúmeras famílias.
No entanto, empreender não deve significar enfrentar tudo sozinha e para que esses negócios cresçam, é necessário ampliar o acesso à formação, ao crédito, à tecnologia, às redes de apoio e às oportunidades de mercado.
Mesmo diante das dificuldades, essas mulheres criaram redes de proteção, preservaram tradições, educaram gerações, sustentaram famílias e organizaram movimentos sociais, mas não podemos romantizar a resistência e nenhuma mulher deveria precisar ser forte o tempo inteiro para ter seus direitos respeitados.
Celebrar é reconhecer conquistas, histórias e talentos e agir é criar oportunidades concretas para que mais mulheres possam estudar, empreender, liderar e ocupar os espaços que desejarem.
Quando uma mulher negra reconhece a própria identidade, encontra apoio e assume o direito de conduzir sua história, ela não muda somente a sua rota, ela transforma o caminho de muitas outras mulheres.
Monaliza Matta
Mentora de decisões, analista comportamental, escritora e palestrante.
Criadora do Método F.I.E.L. — Fé, Identidade, Emoção e Liderança.