Dr. Fabio Vilas-Boas
Cardiologista | Doutor em Ciências (USP) | Titular
Academia de Medicina da Bahia
Quando um paciente já passou pela fase aguda de uma doença, mas ainda precisa de cuidados médicos, reabilitação ou acompanhamento, ficar em um hospital geral nem sempre é a melhor opção. Isso acontece, em parte, por conta da exposição a um ambiente com mais complexidade, tanto em termos de assistência quanto de microbiologia.
As infecções relacionadas aos cuidados de saúde estão entre os problemas mais comuns que encontramos na medicina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em países com renda baixa e média, cerca de 15 a cada 100 pacientes internados em hospitais de cuidados agudos acabam contraindo pelo menos uma infecção durante a hospitalização.
Os hospitais gerais lidam com emergências, UTIs, centros cirúrgicos e pacientes com doenças infecciosas, além de utilizarem mais dispositivos invasivos e antibióticos de amplo espectro. Esses hospitais são cruciais para o tratamento de doenças agudas, mas, devido à sua natureza, acabam criando um ecossistema microbiológico mais complicado.
Quando um paciente não precisa mais desses recursos, um hospital de transição pode ser uma opção mais segura. Esse tipo de hospital se concentra na recuperação funcional, reabilitação e cuidados paliativos, o que diminui a exposição desnecessária do paciente a um ambiente tão complexo. Claro, isso não quer dizer que todos os hospitais de transição tenham automaticamente menos infecções; a segurança depende da estrutura, dos processos, da vigilância e da adesão rigorosa às boas práticas.
No Hospital Casa de Retiro São Francisco (HCRSF), a arquitetura favorece essa segurança. Os apartamentos têm vista para corredores amplos e abertos, garantindo uma ventilação natural intensa. A OMS reconhece que uma boa ventilação é uma medida ambiental importante para reduzir o risco de transmissão de patógenos respiratórios.
Por outro lado, só ter uma boa estrutura física não resolve tudo. No HCRSF, isso se combina com rigorosos protocolos de limpeza e desinfecção, vigilância epidemiológica e, principalmente, a higiene das mãos,uma das principais recomendações da OMS para interromper a transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.
Esse trabalho é coordenado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, sob a liderança do Prof. Roberto Badaró e da Dra. Fabianna Bahia, com foco contínuo em vigilância, treinamento das equipes, monitoramento de indicadores e adesão aos protocolos.
Em transições de cuidados, a segurança também implica em entender que cada fase da recuperação requer um ambiente diferente. Após vencer a fase aguda, o lugar ideal para seguir com o tratamento pode também ser o mais seguro.